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  • Reliane de Carvalho

Pandemia Corona vírus- Medo ou Esperança?

Por que diante de uma pandemia como esta sentimos o medo de forma diferente? Porque algumas pessoas estão verdadeiramente em pânico e outras estão tão destemidas que as levam a atitudes inconsequentes como por a si próprio em risco ou aqueles que lhe circundam?



Por que algumas pessoas diante dos acontecimentos e dos fatos procuram esconder esta emoção por detrás de uma atitude de afirmações repetidas de que “isso não é nada”, “não é real”, “não é assim como estão a dizer”, o “índice de mortalidade é baixo”, “há doenças que matam mais”? Por que algumas pessoas estão apenas presas ao índice de mortalidade, fazendo comparações com outras doenças e esquecendo o efeito destrutivo e avassalador da transmissibilidade rápida e exponencial que o vírus tem?


Por que algumas pessoas não pensam no problema que se estabelece ou estabeler-se-ia se o número de casos aumentasse em demasia, sobrecarregando os hospitais, que não teriam capacidade de resposta nem a nível de recursos físicos, humanos e materiais tal como está a acontecer em Itália? Por que alguns afirmam que tudo isso é exagero da mídia, de todos os veículos de comunicação, enquanto outros estão preocupados e a fazerem a sua parte no que concerne a sua responsabilidade pessoal e social?

É certo de que o medo é uma emoção natural do “Ser Humano”, e é classificado como uma emoção básica que sentimos desde dos primórdios da nossa existência, e que muitas vezes nos protege de consequências que muitos prejuízos nos trariam, como acidentes que poderiam levarmo-nos a morte.


Sabemos que alguns possuem mais medos, de diferentes coisas e possíveis acontecimentos do que outros. E estudos apontam que toda esta diferença na quantidade e frequência que sentimos esta emoção é devido a uma diversidade considerável de fatores, desde da nossa própria configuração anatómica e fisiológica, até mesmo as experiências de vida que nos acompanham antes mesmo do nascimento, quando estamos no ventre materno. Portanto, não podemos esperar que diante de uma crise mundial como esta, que tem por base um agente invisível, destrutivo, desconhecido, com alta velocidade de propagação, que todos, sem exceção, tenham o mesmo nível de medos, de receios, e percecionam a realidade que nos foi imposta de repente da mesma maneira. E ao sabermos que cada emoção gera uma ação, um comportamento, não podemos esperar que todas as ações possuam o mesmo nível de consciência para nos levar a um bem comum, que é a proteção em massa.


É importante neste momento mantermos e alimentarmos a nossa inteligência emocional, a realidade existe, está aí, os fatos evidenciam a gravidade disso tudo tanto a nível de saúde física, como de saúde emocional, como financeira, e o que tudo isso vai e está a trazer de diferente em nossas vidas. No entanto, aprendi uma coisa durante toda a minha vida e durante estes anos no exercício da profissão como terapeuta em saúde emocional, que o sofrimento, o desespero, o abalo destrutivo na saúde emocional é sentido quando estamos no tempo errado, quando ficamos presos ou no passado ou no futuro, sem estarmos realmente conectados no presente. Sendo assim, quem fica preso ao passado sofre a dor e o desconforto do arrependimento, daquilo que deveria ter feito e não fez, daquilo que machucou e ficou ali a ferir a memória, a ferir a alma. E quando estamos presos ao futuro sofremos a ansiedade do medo do que pode acontecer, do que pode advir dos fatos e dos acontecimentos. Sendo assim, o grande segredo para termos saúde emocional é fazermos um grande esforço, quando isso não ocorre de forma natural, para estarmos no presente.


Quando constatar que está a sofrer pelo que passou ou preso em medos do que pode acontecer no futuro, sugiro que repreenda a si mesmo e volte os seus pensamentos para o presente. Em termos mais concretos, cito um exemplo que envolve os acontecimentos: agora ao invés de ficar preso ao medo do que pode acontecer, se vai perder alguém da família mais idoso ou de risco, se o vírus vai infetar a si próprio ou alguém querido, se amanhã estaremos todos em crise a passarmos necessidade financeira devido a crise mundial, sugiro que saia deste momento, saia deste pensamento, volte ao presente. Afirme positivamente comandos positivos tipo: “Estou a fazer a minha parte”; “estou bem”; se em isolamento voluntário: estou a contribuir para a minha proteção e da sociedade”, “se a trabalhar: estou indo trabalhar, mas a tomar os cuidados devidos”; “manter-me-ei informado e darei orientações a minha família sempre que possível para a conscientização e para que todos façam a sua parte”; “tenho crença positiva”, “acredito na força do Universo, acredito no seu poder de reorganização”, “acredito que tudo a seu tempo reorganizar-se-á e teremos a nossa vida com o retorno a normalidade, ficaremos bem de novo e poderemos transitar em liberdade, abraçar, pegar na mão, tocar, seguindo o nosso percurso de aprendizado na grande escola da vida”. Sei que tudo ficará bem, que não nos faltará nada, que logo aparecerá uma saída. Enfim, afirme positivamente tudo o quanto possível para expulsar o medo e voltar para realidade, até mesmo porquê o futuro não chegou e ninguém sabe o que acontecerá amanhã, assim como meses atrás era impossível prevermos que num ano de números tão bonitos “2020”, que iniciamos com esperança de construção, estaríamos a passar por uma situação dessas, com um impacto a nível mundial, ou seja, direta ou indiretamente afetando todas as pessoas do mundo.


Sendo assim, para a sua saúde emocional, convido-o a reflexão, volte os seus pensamentos para o momento, para o agora, para si mesmo, volte os seus pensamentos para o lado saudável da vida. Tente reorganizar suas ideias, aproveitar o tempo para organizar tarefas que antes não podia, confraternizar com a família, ler, voltar para dentro de si em reflexão. Sugiro que use o seu tempo a seu favor, é tempo de reflexão, mas não numa reflexão pautada no medo, na dor, no desastre, no desespero, mas de uma reflexão voltada para a paz interior: o que posso crescer com tudo isso? O que a situação nos ensina, tanto do ponto de vista individual como coletivo? O que posso fazer a partir de agora para ser um “SER HUMANO” mais positivo, para atrair coisas boas a minha vida e consequentemente para proporcionar a todas as pessoas que estão perto melhores momentos? O que posso fazer para contribuir positivamente para este mundo que estou em escola de aprendizado? O que posso fazer para ser cada vez mais feliz?


Tudo na vida tem o impacto que damos, as cores da vida e a força dos acontecimentos são percecionadas de acordo com os óculos das nossas emoções. Podemos ver tudo o que está a acontecer como oportunidade de amadurecimento e crescimento ou ficarmos presos as dores, as lamentações. Sugiro que seja grato, agradeça o que tem, agradeça por não ter sido uma das vítimas, agradeça por não ter sido alguém que partiu devido a isso tudo. Se contraiu o vírus e está tudo bem, agradeça por isso. Se perdeu alguém próximo, cuide si e dos outros, para honrar esta pessoa que partiu, fazendo pelos outros aquilo que gostaria que tivessem feito por ela, para a sua proteção. Enfim, seja vida, viva a vida, apegue-se as emoções positivas, isso é estar vivo, porquê a pior morte que pode existir é a morte em vida, quando ficamos presos aos medos em demasia e as dores, e não sentimos todo o potencial de construção que existe no Universo, uma energia soberana que rege sempre ao nosso favor.


Reliane de Carvalho.

Artigo originalmente publicado no siste da revista Zen Energy


Imagem: https://www.universal.org




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