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  • Reliane de Carvalho

O que é importante para a nossa capacidade de construção e realização?As relações podem interferir?


Ainda que o tempo presente confirme a memória dos bons tempos passados, nada pode substituir o peso do momento presente, pois o que passou não volta, apenas tem a possibilidade de nos trazer ensinamentos, boas memórias e o enriquecimento da alma.

Portanto, cada vez mais precisamos ter a nossa atenção voltada para o bem-estar no momento presente. O que posso fazer hoje, o que posso fazer agora para transformar a minha realidade de forma positiva? Aonde estou preso, em pensamentos positivos, construtivos ou em pensamentos negativos, destrutivos? Aonde está a minha energia, na vitimização pelo que deu errado e não aconteceu, ou na construção, no que pode dar certo, no que pode ser enriquecido, transformado?

Somos na dança da vida movimento de construção, de realização, e somente iremos fazer movimentos que possam nos machucar se não estivermos conscientes de que os melhores passos são aqueles planeados sim, estudados sim, mas focados no presente. E na plena certeza de que estar em consciência é fazer bem primeiro para nós, e que respeitar o outro, a vida e a sociedade, é não fazer nada intencionalmente que possa de alguma forma ao outro prejudicar. E isso é amor próprio, um alimento contínuo em pró de nós mesmos, mas em plena consciência de que não somos movimentos unos, as melhores danças da vida são realizadas nos movimentos conjuntos, com outro, meio aos grupos que pertencemos, família, amigos, sociedade.


E como fazer estes movimentos para que eles sejam construtivos, prazerosos, não destrutivos?


Não esperando que sejamos perfeitos, nem que o outro seja perfeito. Aceitando cada movimento de crescimento do outro sem julgamentos, aceitando cada um de nossos movimentos sem nos culparmos, sem reclamarmos, sem maldizermos ou sem apontarmos a responsabilidade dos acontecimentos para nós e nem mesmo para fora de nós. Porque em maior ou menor proporção, tudo o que envolve relação não pode ser de responsabilidade só do outro, ou só nossa, porque se é relação a própria etiologia da palavra já diz, não é um elemento apenas e sim a interação de um ou mais elementos, e se é interação, como podemos atribuir a responsabilidade do que aconteceu somente ao outro ou somente a nós?

O que isso significa do ponto de vista emocional? Quando alguém nos fere e mexe com alguma de nossas emoções gera consequentemente uma ação. Ou seja, a cada emoção uma reação, inevitavelmente vamos reagir de acordo com a saúde das emoções que carregamos dentro de nós. Se é fuga ou ataque, automaticamente a nossa reação vai despoletar uma ou mais emoção no outro, que consequentemente trará uma ação. Contudo, seja na neutralidade (na fuga) ou no ataque, em toda e qualquer relação, em cada acontecimento menos confortável, teremos a nossa participação, nem que seja, diante da injustiça do outro que por diversos fatores, como medo, baixa autoestima, acabamos por não ter a capacidade necessária para nos defender como teria que ser, para não carregarmos depois dores e sentimento de injustiça.


Contudo, sugiro que fique muito atento no aqui e no agora, em si, no seu crescimento, quais emoções que está a sentir diante dos comportamentos dos outros, de onde esta ou estas emoções provém, quais emoções precisa melhorar, trabalhar, onde no passado aconteceram situações desconfortáveis que o levaram a acumular estas emoções menos saudáveis. E neste estado de consciência, em atenção plena no seu estado emocional, que pense no outro como um ser igualmente emocional, que age de acordo com suas feridas internas, com seus medos, com sua história de vida. E assim, em consciência, ao assumir um papel consciente e no tempo presente, e abstraindo-se dos julgamentos, inevitavelmente terá mais estratégias para melhor se relacionar. E se nos relacionamos melhor, com todos a nossa volta, sendo seres sociais como somos, inevitavelmente todo o nosso potencial construtivo é potencializado.

Uma pessoa emocionalmente saudável, emocionalmente bem, abre as portas da sua vida para as oportunidades, porque está leve, vivo, atento, está de encontro com toda a sua força interior e capacidade de expansão, de construção. Uma pessoa emocionalmente bem utiliza o seu tempo para bem construir, para bem fazer, sem ficar presos a dores, que acabam por ser limitadoras a todo o nosso potencial construtivo.


E se não conseguir fazer isso sozinho? Como devo proceder? Ler, meditar, terapeutizar-se... Hoje temos muitos instrumentos que são colaborativos para que possamos nos compreender, ajudar-nos, fortalecer-nos e seguirmos em profundo movimento de crescimento, nesta maravilhosa dança da vida que nos convida a construirmos a todo e a qualquer momento.

Reliane de Carvalho

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